Onde estará o Reino?
No Reino do Amanhã se esconde a esperança que normalmente não aparece em nossas casas. Não é pessimismo não, somente uma constatação. Ela, a esperança, não nos visita com freqüência por que nos afastamos dela e, conseqüentemente, distanciamos do Reino do Amanhã. Tal reino é tão longínquo, que nem os mais persistentes conseguem antevê-lo, sem que antes morra o homem velho que neles habitavam. Muitas perguntas me surgem quando penso nesse lugar. Será que a fome nele habitará? A morte será tão dolorosamente entendida, por lá? As pessoas poderão se amar plenamente, sem temer as agruras dos julgamentos precipitados? O amor será o lugar comum nos corações daqueles que lá viverem? Mas, onde mora a esperança, reside também à caridade. E já que ambas são expressões do amor sublime, penso que dúvidas não existirão no Reino do Amanhã. Pode até parecer que ele está distante, de tão afastado que é o amanhã, mas não o é. Se hoje foi o amanhã de ontem, então o amanhã é agora e está tão presente em nós, quanto gostaríamos de acreditar que ele esteja. De fato, o Reino do Amanhã está em nós, em segredo, emudecido e acabrunhado, pois ele aguarda que tomemos coragem para fazê-lo brilhar. Estamos tão absorvidos com nossas necessidades cotidianas e vulgares, que apenas conseguimos vislumbrar o que fazemos agora. Vamos empurrando os dias de nossas existências com a enorme barriga emocional que criamos ao largo dos séculos. Errando, errando, negligenciando, acovardando, amedrontando, dissimulando, obliterando, adiando questões de inquestionável grandeza. Descobrir o Reino do Amanhã em nós é desvelar a consciência Divina que nos guia em nossas decisões; é amadurecer nosso espírito diante das demandas universalistas e existenciais, reconhecendo a imensurável presença de Deus em nossas vidas. Não importa o quanto estamos atrasados, pois, sempre teremos tempo disponível para seguirmos adiante, basta termos coragem, fé, força de vontade e amor. Ademais, sofrer com a ausência do amor é sofrer sem entendimento das coisas de Deus, sem a devida compreensão de nossas limitações, nem reconhecimento dos nossos limites. O aprendizado quando é consciente, lúcido, mesmo que nos cause dor, não nos causará nunca sofrimento recalcitrante. O Reino do Amanhã está em nós, mesmo que não o entendamos, pois traz consigo todas as verdades contidas na vida, que é eterna em sua essência divinizada. Essas verdades são o registro verossímil das ações de Deus no universo, enigmas que devemos decifrar para que possamos alcançar a tão almejada felicidade. E, neste ínterim, o que é muito se torna excesso e o que é pouco se torna insuficiente, pois as chaves decifradoras destas verdades são o bom senso, a paciência, amor e o equilíbrio. Jesus, nosso educador, deu-nas para as usarmos sem restrições, exemplificando cada uma delas ao largo de sua passagem aqui na terra. Mesmo que, motivados pela lembrança do seu natalício, tentemos resgatar, para nosso dia-a-dia seus ensinamentos, cabe-nos um esforço ainda maior de aprendizado e pratica, pois tal práxis é fundamental para o real dimensionamento do raio de ação de suas palavras. O Reino do Amanhã, meus irmãos, é o Reino de Deus que carregamos em nós e não compreendemos. Incubemos-nos, então, de despertá-lo, a fim de alcançarmos a tão almejada felicidade. Portanto, sermos felizes é uma questão de tempo e de empenho pessoal, então, mãos a obra, lembrando-nos, diante das intempéries que a vida nos trás, as palavras do mestre Jesus, pois, só assim ele nascerá em nós todos os dias: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo”.
Roberto Almeida, 24/12/06.
Roberto Almeida, 24/12/06.

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