24.12.06

Onde estará o Reino?


No Reino do Amanhã se esconde a esperança que normalmente não aparece em nossas casas. Não é pessimismo não, somente uma constatação. Ela, a esperança, não nos visita com freqüência por que nos afastamos dela e, conseqüentemente, distanciamos do Reino do Amanhã. Tal reino é tão longínquo, que nem os mais persistentes conseguem antevê-lo, sem que antes morra o homem velho que neles habitavam. Muitas perguntas me surgem quando penso nesse lugar. Será que a fome nele habitará? A morte será tão dolorosamente entendida, por lá? As pessoas poderão se amar plenamente, sem temer as agruras dos julgamentos precipitados? O amor será o lugar comum nos corações daqueles que lá viverem? Mas, onde mora a esperança, reside também à caridade. E já que ambas são expressões do amor sublime, penso que dúvidas não existirão no Reino do Amanhã. Pode até parecer que ele está distante, de tão afastado que é o amanhã, mas não o é. Se hoje foi o amanhã de ontem, então o amanhã é agora e está tão presente em nós, quanto gostaríamos de acreditar que ele esteja. De fato, o Reino do Amanhã está em nós, em segredo, emudecido e acabrunhado, pois ele aguarda que tomemos coragem para fazê-lo brilhar. Estamos tão absorvidos com nossas necessidades cotidianas e vulgares, que apenas conseguimos vislumbrar o que fazemos agora. Vamos empurrando os dias de nossas existências com a enorme barriga emocional que criamos ao largo dos séculos. Errando, errando, negligenciando, acovardando, amedrontando, dissimulando, obliterando, adiando questões de inquestionável grandeza. Descobrir o Reino do Amanhã em nós é desvelar a consciência Divina que nos guia em nossas decisões; é amadurecer nosso espírito diante das demandas universalistas e existenciais, reconhecendo a imensurável presença de Deus em nossas vidas. Não importa o quanto estamos atrasados, pois, sempre teremos tempo disponível para seguirmos adiante, basta termos coragem, fé, força de vontade e amor. Ademais, sofrer com a ausência do amor é sofrer sem entendimento das coisas de Deus, sem a devida compreensão de nossas limitações, nem reconhecimento dos nossos limites. O aprendizado quando é consciente, lúcido, mesmo que nos cause dor, não nos causará nunca sofrimento recalcitrante. O Reino do Amanhã está em nós, mesmo que não o entendamos, pois traz consigo todas as verdades contidas na vida, que é eterna em sua essência divinizada. Essas verdades são o registro verossímil das ações de Deus no universo, enigmas que devemos decifrar para que possamos alcançar a tão almejada felicidade. E, neste ínterim, o que é muito se torna excesso e o que é pouco se torna insuficiente, pois as chaves decifradoras destas verdades são o bom senso, a paciência, amor e o equilíbrio. Jesus, nosso educador, deu-nas para as usarmos sem restrições, exemplificando cada uma delas ao largo de sua passagem aqui na terra. Mesmo que, motivados pela lembrança do seu natalício, tentemos resgatar, para nosso dia-a-dia seus ensinamentos, cabe-nos um esforço ainda maior de aprendizado e pratica, pois tal práxis é fundamental para o real dimensionamento do raio de ação de suas palavras. O Reino do Amanhã, meus irmãos, é o Reino de Deus que carregamos em nós e não compreendemos. Incubemos-nos, então, de despertá-lo, a fim de alcançarmos a tão almejada felicidade. Portanto, sermos felizes é uma questão de tempo e de empenho pessoal, então, mãos a obra, lembrando-nos, diante das intempéries que a vida nos trás, as palavras do mestre Jesus, pois, só assim ele nascerá em nós todos os dias: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo”.

Roberto Almeida, 24/12/06.

10.12.06

Do jeito que Papai Noel trabalha logo vai precisar de ajuda...


26.11.06

Poesia, uma parte de mim

Passado...
Quem gostaria de ver as estrelas do firmamento?
Quem quer sonhar, sem ter que sangrar a qualquer momento?
Quem virá antes de nos afogarmos em ódio e medo?
Só o alimento na boca do covarde não bastará,
pois suas armas estão engatilhadas em nossas frontes
e sua fome tem gosto de desejo não satisfeito.

Fecham-se as cortinas do passado,
o futuro não está mais distante,
está a um passo do abismo que somos
e o que somos, não nos vale nada, apenas morte.

Vejam, o sol não está mais radiante,
ouçam, o som das ondas do mar não mais ecoa em nossos ouvidos,
sintam, as crianças estão cegas, surdas e choram o abandono,
este mundo está calado, a justiça está emudecida,
os mercadores da morte tomaram seus lugares
nos palácios onde governam o planeta, em seus tronos de absurdos.

O passado é uma bolha e o fim é uma questão de tempo,
não mais me abstenho de viver plenamente aquilo que sou
ou o que possa vir a ser,
apenas quero criar um lugar tranqüilo em mim
e construir tudo aquilo com que eu possa sonhar,
lembrando-me que algo passou, mudou e não permanecerá.

Roberto Almeida
, 18/11/06.

19.11.06

MISTÉRIOS OU MISTÉRIOS?


"A melhor coisa que podemos vivenciar é o mistério. Ele é a emoção fundamental que está no berço da ciência e da arte verdadeiras. Aquele que não o conhece e não mais se maravilha, não sente mais o deslumbramento, vale o mesmo que um morto, que uma vela apagada." - Albert Einstein -

Eis a relevância dos segredos ocultos no universo. Quem poderá afirmar, com toda a certeza, que algo existe de tal forma ou que não existe segundo os padrões tais? O mistério que envolve a ciência cartesiana nos faz pensar acerca das possibilidades do espírito humano, em sua existência ao longo dos séculos, desde que brotou-lhe a consciência e o discernimento. Certas questões não foram, sobremaneira, solucionadas por tal ciência e, apesar das mistificações, possuem relevância. Os cientistas não tocam buracos negros, não enxergam átomos, não dominam as estrelas, contudo analisam tudo em função do comportamento destes corpos e comprovam sua existência, especulam sobre suas características e criam teses ou teorias. Também não vêem espíritos. E, apesar de sentirem seus efeitos e influências cotidianamente, não crêem na existência dos mesmos. Não há pesquisa científica cartesiana para este assunto, mesmo porque não há como pesquisar sobre algo que possue vontade própria, é inteligente e não age regido por leis materiais físicas inconstantes. O espírito é livre. E nós, incontestávelmente, somos todos espíritos. Creiam, os mistérios são romantizados pelos sonhadores ou idealizados pelos crédulos, mas, em essência, não há mistério algum. Somos ignorantes, estamos aprendendo e largo será nosso passo quando deixarmos de lado nossos pré-conceitos egoístas e falaciosos, abrindo mão de nossa humanidade retrograda e alcançando o "status quo" de semi-deuses co-criadores do universo.

Vou ler agora um livro legal. Se quiserem ler também o nome dele é A Razão Áurea, de Mário Livio e fala sobre a equação de Fibonacci ou simplesmente Fi. Aprendendo a descobrir os mistérios, eis que os limites se ampliam e a mente se abre para jamais retornar ao seu tamanho original...

Roberto Almeida, 19/11/06.

18.11.06

Pra recomeçar...


Bem, na verdade me cansei do My Blog do click21. Não estava mais encantado com o blog de lá, embora eu tenha mudado a cara dela por diversas vezes. Como tenho amigos que estão postando aqui no Blogger e já possui diversas contas do Google, resolvi adcionar mais este serviço do Oráculo da Internet. Recomecei, vamos ver no qe vai dar...

Guardadas as proporções, de tamanho, mas não pelo talento, que se igualam, o Lázaro Ramos , o Foguinho de cobras e Lagartos, personagem que representa o nosso Macunaíma moderno, um estiloso sub-produto de nossa sociedade desigual e fatricida, deu show e levou nas costas uma novela sem graça e mal-ajambrada. Não por culpa dos atores, que se esforçaram para dar verossimilhança a um enredo surreal e cafajeste, mas por conta da própria estrutura das novelas da Globo, que primam em adequar suas histórias ao gosto do cliente. Bem, me perdi no que eu queria falar, mas já retomando a comparação, o Lázaro Ramos, em diversos aspectos, me lembra muito um ator que sempre admirei e que encontra-se esquecido do imaginário coletivo, posto que morreu e nem é homenageado, nem por artístas, nem pela comunidade negra deste país, que tanto admiro e me encontro inserido: Grande Otelo. O dia 20 de novembro é o dia da consciência negra, quem sabe relembra o Macunaíma Grande Otelo, atualizado pelo Lázaro Ramos, não seja uma boa forma de refletirmos sobre as condições injustas e sub-humanas da grande maioria da população negra e pobre deste país, que ainda não pode ser chamado de nação. Pensem... reflitam e hajam...